Renda Variável

O Que é Ação? Guia Completo para Investir na Bolsa de Valores

Por Ana Carolina Giampietro
Atualizado em junho de 2026
Leitura: 12 min

Gráficos da bolsa de valores representando ações

Investir em ações significa se tornar sócio de grandes empresas brasileiras e internacionais.

Vem comigo que eu te explico um dos investimentos mais poderosos do mercado financeiro: as ações. Ao comprar uma ação, você vira sócio de uma empresa de verdade e passa a participar dos lucros, do crescimento e da valorização dela. Neste guia completo, eu vou te mostrar o que é uma ação, como ela funciona na prática, quais tipos existem e como você pode começar a investir com segurança e tranquilidade.

O Que é uma Ação e Como Ela Funciona

Uma ação é uma fatia do capital de uma empresa. Quando uma companhia resolve abrir seu capital na bolsa de valores, ela divide o seu patrimônio em milhões ou bilhões de pequenas partes — e essas partes são as ações. Qualquer pessoa que adquire ao menos uma dessas fatias passa a ser, oficialmente, acionista da empresa. Ou seja: um dos donos.

Esse mecanismo surgiu para que as empresas pudessem captar dinheiro do público sem depender só de empréstimos bancários ou de um grupo seleto de investidores. Em troca do capital investido, os acionistas ganham direitos valiosos: participação nos lucros (os famosos dividendos), voto nas assembleias e, principalmente, a possibilidade de ver o preço da ação se valorizar ao longo do tempo.

Como o Preço de uma Ação é Determinado?

O preço de uma ação não é fixo. Ele oscila a cada segundo durante o horário de negociação da B3 (Bolsa de Valores do Brasil), que funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Essa variação segue a lei da oferta e demanda: se muita gente quer comprar determinada ação, o preço sobe; se muita gente quer vender, o preço cai. Simples assim.

Mas não é só isso. Além da oferta e demanda, vários fatores mexem com o preço: os resultados financeiros da empresa (lucro, receita, dívida), o cenário macroeconômico (taxa de juros, inflação, dólar), notícias políticas e até eventos lá fora do Brasil. Por isso, entender análise fundamentalista faz toda a diferença na hora de escolher boas empresas.

Saiba Mais: O Que é o Ibovespa?O Ibovespa é o principal índice da bolsa brasileira. Ele mede o desempenho das ações mais negociadas e representa um termômetro geral do mercado. Quando o Ibovespa sobe, a maioria das grandes ações tende a subir também.

O Processo de IPO: Como uma Empresa Chega à Bolsa

Para que uma empresa tenha suas ações negociadas na bolsa, ela precisa passar por um processo chamado IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial). Nesse processo, a empresa contrata bancos de investimento, prepara uma série de documentos financeiros, passa por auditorias e, finalmente, lança suas ações ao público por um preço determinado.

Depois do IPO, as ações passam a ser negociadas livremente no mercado secundário — que é justamente a bolsa de valores. É aí que a maioria dos investidores compra e vende ações no dia a dia. O preço no mercado secundário pode ser muito diferente do preço do IPO, tanto para cima quanto para baixo, dependendo da performance da empresa e das condições do mercado.

Renda Variável: O Que Isso Significa na Prática?

As ações fazem parte da categoria de renda variável. Isso significa que, ao contrário de investimentos como o CDB, você não sabe de antemão quanto vai ganhar — e nem se vai ganhar. O retorno depende da performance da empresa e do mercado. Nos anos bons, as ações podem dobrar ou triplicar de valor. Nos anos ruins, podem cair 30%, 40% ou mais.

Essa característica exige que o investidor tenha perfil de risco adequado, horizonte de longo prazo e disciplina emocional para não vender na baixa por impulso. Historicamente, a bolsa de valores é um dos investimentos com maior retorno no longo prazo, superando a inflação e os juros da renda fixa em períodos de 10 anos ou mais.

Retorno Médio Anual por Tipo de Investimento (estimativa histórica — Brasil)
14%
Ações (Ibovespa)
10%
Fundos Imobiliários
8%
CDB / Selic
5%
Poupança
4%
Inflação (IPCA)
*Dados ilustrativos baseados em médias históricas. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.

Além da valorização do preço, os acionistas também podem receber dividendos — a distribuição periódica de parte do lucro da empresa. Esse fluxo de renda passiva é um dos grandes atrativos das ações para quem investe pensando no longo prazo. Para medir esse retorno em dividendos, existe uma métrica chamada Dividend Yield, que mostra o percentual pago em relação ao preço da ação.

Tipos de Ações: Ordinárias e Preferenciais

No mercado brasileiro, as ações se dividem em dois grandes grupos: as ações ordinárias (ON) e as ações preferenciais (PN). Cada tipo tem características bem diferentes, que afetam os seus direitos como acionista, a liquidez no mercado e a forma como os lucros são distribuídos. É importante que você saiba a diferença entre elas antes de fazer qualquer investimento.

Ações Ordinárias (ON)

As ações ordinárias são identificadas pelo sufixo 3 no código de negociação na B3. Por exemplo: PETR3 (Petrobras ON), VALE3 (Vale ON), ITUB3 (Itaú Unibanco ON). O principal direito que elas concedem ao acionista é o direito a voto nas assembleias gerais da empresa.

Com esse direito, você pode participar de decisões estratégicas da companhia: eleição do conselho de administração, aprovação de fusões e aquisições, distribuição de lucros. Na prática, para o pequeno investidor pessoa física, esse voto tem pouca influência direta — os grandes acionistas controladores detêm a maioria. Mesmo assim, as ações ON são mais vantajosas quando há venda do controle acionário, pois o minoritário tem o direito de vender suas ações pelo mesmo preço do controlador — é o chamado tag along.

Ações Preferenciais (PN)

As ações preferenciais são identificadas pelo sufixo 4 (PN comum) ou 11 (units) no código da B3. Exemplos: PETR4 (Petrobras PN), BBDC4 (Bradesco PN). As ações PN em geral não dão direito a voto, mas oferecem algumas vantagens financeiras bem atrativas em compensação.

Entre as principais vantagens das ações preferenciais estão: prioridade no recebimento de dividendos em relação às ordinárias, um dividendo mínimo garantido por lei (10% maior do que o das ON) e prioridade no reembolso do capital em caso de liquidação da empresa. Por isso, as ações PN costumam ser as favoritas de quem foca em renda passiva e dividendos recorrentes.

Característica Ação Ordinária (ON) Ação Preferencial (PN)
Sufixo na B3 3 (ex: VALE3) 4 ou 11 (ex: VALE4)
Direito a voto Sim Não (em geral)
Prioridade em dividendos Normal Sim — 10% maior
Tag Along 100% obrigatório Pode variar
Liquidez Varia por empresa Varia por empresa
Indicada para Longo prazo / controle Foco em dividendos

Units e BDRs: Outras Modalidades

Além das ON e PN clássicas, existem outras modalidades no mercado brasileiro. As Units (sufixo 11) são certificados que representam um conjunto de ações ON e PN juntas, como era o caso do Banco do Brasil (BBAS11) antes da reformulação. Já os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) permitem que investidores brasileiros comprem, via B3, recibos que representam ações de empresas estrangeiras, como Apple, Amazon e Google, sem precisar abrir conta no exterior.

Dica ImportantePara escolher entre ON e PN, pense no seu objetivo. Se você quer renda passiva e dividendos maiores, as ações preferenciais podem ser mais vantajosas. Se você valoriza segurança jurídica e tag along de 100%, as ordinárias são a escolha mais indicada. Em muitos casos, a diferença de preço entre ON e PN da mesma empresa é pequena, o que facilita a comparação.

Classificação por Tamanho e Liquidez

As ações também podem ser classificadas pelo tamanho e liquidez das empresas. As Large Caps (ou blue chips) são as grandes empresas com alto volume diário de negociação, como Petrobras, Vale e Itaú. As Mid Caps são empresas de porte médio, com bom potencial de crescimento. Já as Small Caps são empresas menores, geralmente com menor liquidez, mas que podem oferecer retornos expressivos para quem topa um pouquinho mais de risco.

Como Comprar Ações pela Primeira Vez

Comprar ações é muito mais simples do que a maioria das pessoas imagina. Com o avanço das plataformas digitais, hoje qualquer pessoa com internet e um documento de identificação consegue abrir conta em uma corretora de valores e começar a investir na bolsa em questão de minutos. Veja o passo a passo completo a seguir.

Passo 1: Defina Seu Perfil de Investidor

Antes de comprar qualquer ação, entenda o seu perfil de investidor. Esse perfil é determinado por fatores como objetivo financeiro, prazo do investimento, tolerância a riscos e situação financeira atual. O Banco Central do Brasil e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exigem que as corretoras apliquem um questionário de Suitability para verificar se o produto é adequado ao cliente.

Os perfis mais comuns são: conservador (prefere segurança e baixo risco), moderado (aceita algum risco em busca de retornos maiores) e arrojado (aceita alta volatilidade mirando ganhos maiores). Ações são mais indicadas para perfis moderado e arrojado, especialmente para quem tem um horizonte de investimento superior a 5 anos.

Passo 2: Abra uma Conta em uma Corretora de Valores

A corretora de valores é a instituição financeira que intermedia a compra e venda de ações na bolsa. Para abrir uma conta, você precisa fornecer CPF, RG ou CNH, comprovante de residência e algumas informações sobre sua renda e ocupação. Todo o processo é online, geralmente em menos de 30 minutos, e sem custo algum.

Na hora de escolher uma corretora, leve em conta a taxa de corretagem (algumas cobram zero), a qualidade da plataforma, o suporte ao cliente e a variedade de produtos disponíveis. Certifique-se de que ela é regulamentada pela CVM e pelo Banco Central para garantir a segurança do seu dinheiro.

Passo 3: Transfira Dinheiro para a Conta da Corretora

Depois de abrir a conta, você precisa transferir dinheiro do seu banco para a conta da corretora. Essa transferência é feita normalmente via TED ou PIX, e o valor fica disponível para investimento em poucos minutos. Não existe valor mínimo obrigatório para começar — algumas ações custam menos de R$ 10, o que permite que qualquer pessoa dê o primeiro passo com um valor pequeno.

Passo 4: Pesquise as Ações e Escolha Onde Investir

Esta é a etapa mais importante e que pede mais estudo da sua parte. Antes de comprar qualquer ação, pesquise a empresa: analise os resultados financeiros, o histórico de dividendos, a dívida, o setor de atuação e as perspectivas de crescimento. Uma ótima forma de começar é estudando análise fundamentalista, que avalia o valor intrínseco de uma empresa com base nos seus fundamentos.

Outra estratégia bem popular entre quem está começando é investir em empresas que compõem o Ibovespa ou optar por fundos de índice (ETFs), que replicam automaticamente uma carteira diversificada de ações. Isso reduz o risco individual de cada empresa e simplifica bastante o processo de seleção.

Passo 5: Execute a Ordem de Compra

Na plataforma da corretora, você digita o ticker (código) da ação que deseja comprar (ex: VALE3), a quantidade de ações e o tipo de ordem. As ordens mais comuns são:

Tipo de Ordem Como Funciona Indicado Para
Ordem a Mercado Compra imediata pelo melhor preço disponível Liquidez imediata
Ordem Limitada Compra apenas se o preço atingir o valor definido Controle de preço
Stop Loss Vende automaticamente se o preço cair até certo limite Proteção de capital
Stop Gain Vende automaticamente quando atinge um lucro desejado Travamento de lucro

Impostos sobre Ações

Presta atenção nisso antes de começar a operar: de acordo com as regras da Receita Federal, vendas de ações até R$ 20.000 por mês são isentas de imposto de renda. Acima desse valor, incide uma alíquota de 15% sobre o lucro nas operações comuns e 20% nas operações de day trade. O imposto deve ser pago via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda.

Atenção ao Day TradeDay trade é a compra e venda da mesma ação no mesmo dia. Além de ter uma alíquota maior de IR (20%), o day trade exige experiência, disciplina e ferramentas específicas. Estudos mostram que a maioria dos iniciantes perde dinheiro com essa modalidade. Para quem está começando, o investimento de longo prazo é sempre a opção mais recomendada.

Riscos e Vantagens de Investir em Ações

Como todo investimento, as ações têm dois lados da moeda: as vantagens que as tornam atraentes e os riscos que precisam ser gerenciados com cuidado. Conhecer os dois lados é indispensável para tomar decisões conscientes e construir uma carteira sólida ao longo do tempo.

Principais Vantagens de Investir em Ações

A primeira e mais evidente vantagem das ações é o potencial de valorização. Historicamente, o mercado acionário é um dos ativos que mais geram riqueza no longo prazo. Empresas bem geridas, inseridas em setores em crescimento, tendem a se valorizar ao longo dos anos e multiplicar o capital investido de forma expressiva. Isso é algo que a poupança ou os títulos de renda fixa dificilmente conseguem oferecer de forma consistente.

A segunda grande vantagem é a renda passiva por meio de dividendos. Muitas empresas brasileiras listadas na bolsa pagam dividendos periodicamente — trimestral, semestral ou anualmente. Para o acionista, isso representa uma fonte de renda constante sem precisar vender as ações. O indicador que mede esse retorno é o Dividend Yield, expresso em percentual ao ano.

Outra vantagem relevante é a liquidez. Diferente de imóveis ou outros ativos alternativos, as ações de grandes empresas podem ser compradas e vendidas em segundos durante o horário de negociação da B3. Isso dá ao investidor flexibilidade para realocar seu capital rapidamente conforme as circunstâncias mudam.

Por fim, investir em ações também oferece proteção contra a inflação. Como as ações representam participação em empresas reais — com ativos tangíveis e poder de repasse de preços — elas tendem a se valorizar junto com a economia ao longo do tempo, preservando o poder de compra do investidor.

Vantagens ResumidasValorização do capital no longo prazo • Renda passiva por dividendos • Alta liquidez no mercado secundário • Proteção contra inflação • Acesso a empresas líderes do mercado • Isenção de IR até R$ 20 mil/mês em vendas • Diversificação setorial fácil

Principais Riscos de Investir em Ações

O risco mais óbvio das ações é a volatilidade. O preço de uma ação pode oscilar muito em um único dia, especialmente em cenários de incerteza econômica ou política. Para quem não tem estabilidade emocional ou precisa do dinheiro no curto prazo, essa oscilação pode ser muito desconfortável e levar a decisões ruins — como vender em pânico no fundo do mercado.

Existe também o risco específico da empresa (risco não sistemático). Uma empresa pode enfrentar problemas internos graves como fraudes contábeis, troca de gestão, perda de clientes ou disrupção tecnológica que façam suas ações despencarem, independente do mercado como um todo. Esse risco pode ser reduzido com diversificação: investir em ações de diferentes setores e empresas dilui o impacto de um eventual problema em um único ativo.

O risco sistemático (ou risco de mercado) afeta todas as ações ao mesmo tempo. Crises econômicas globais, pandemias, guerras e mudanças drásticas na política monetária podem derrubar o mercado inteiro. Esse tipo de risco não pode ser eliminado pela diversificação dentro da renda variável, mas pode ser atenuado com uma alocação estratégica entre diferentes classes de ativos.

Tipo de Risco Descrição Como Reduzir Nível
Volatilidade Oscilação diária do preço Horizonte de longo prazo Médio
Risco da empresa Problema específico da companhia Diversificação da carteira Alto
Risco de mercado Crises econômicas globais Alocação em múltiplos ativos Alto
Risco de liquidez Dificuldade de vender ações small caps Preferência por large caps Médio
Risco político Mudanças regulatórias e tributarías Diversificação setorial e geográfica Médio

Como Montar uma Carteira de Ações Equilibrada

A melhor forma de reduzir os riscos sem abrir mão dos retornos é construir uma carteira diversificada. Isso significa investir em ações de setores diferentes (bancos, energia, varejo, saúde, tecnologia), de tamanhos diferentes (large, mid e small caps) e até de países diferentes (via BDRs). Uma regra prática muito usada sugere ter entre 10 e 20 ações diferentes na carteira para uma boa diversificação.

Além da diversificação, dois hábitos são essenciais para o sucesso no longo prazo: aportes regulares (investir uma quantia fixa todo mês independente do momento do mercado) e o reinvestimento de dividendos. A combinação dessas práticas com o tempo cria um efeito de juros compostos que pode transformar investimentos modestos em patrimônios significativos ao longo de décadas.

Nunca Invista o que Não Pode PerderAções são investimentos de risco. Nunca use dinheiro da reserva de emergência ou recursos destinados a despesas fixas para comprar ações. A reserva de emergência deve ficar em ativos de alta liquidez e baixo risco, como o CDB com liquidez diária. Apenas invista na bolsa com o dinheiro que você pode deixar aplicado por pelo menos 3 a 5 anos sem precisar resgatar.

Conclusão: Vale a Pena Investir em Ações?

Na minha opinião, sim — e digo isso com convicção. Investir em ações é uma das formas mais eficientes de construir riqueza no longo prazo. Com estudo, disciplina e uma estratégia bem definida, qualquer pessoa pode participar do crescimento das melhores empresas do Brasil e do mundo. O caminho começa pela educação financeira: entender o que é uma ação, como ela funciona e quais são os riscos envolvidos é o primeiro passo para investir com confiança.

Use o checklist abaixo para verificar se você está pronto para dar seus primeiros passos no mercado acionário:

  • Tenho uma reserva de emergência de 3 a 6 meses de despesas
  • Conheço meu perfil de investidor (conservador, moderado ou arrojado)
  • Abri conta em uma corretora regulamentada pela CVM
  • Entendo a diferença entre ações ON e PN
  • Estudei pelo menos 3 empresas antes de investir
  • Tenho um horizonte de investimento de pelo menos 5 anos
  • Sei como declarar ações no Imposto de Renda
  • Tenho uma estratégia de diversificação para minha carteira
  • Estou preparado emocionalmente para suportar oscilações do mercado
  • Planejo fazer aportes regulares mensais, independente do cenário

Perguntas Frequentes sobre Ações

O que é uma ação e como ela gera lucro?

Uma ação é uma fatia do capital de uma empresa. Ao comprar ações, você se torna acionista — um dos donos da companhia. O lucro pode vir de duas fontes: a valorização do preço da ação no mercado (se você comprou a R$ 20 e vendeu a R$ 35, teve um ganho de capital de 75%) e os dividendos, que são distribuições periódicas de parte do lucro da empresa aos seus acionistas.

Para gerar lucro de forma consistente, é importante escolher boas empresas por meio de análise fundamentalista, manter os investimentos por longos períodos e reinvestir os dividendos recebidos para potencializar o efeito dos juros compostos.

Qual é o valor mínimo para investir em ações?

Não existe um valor mínimo oficial para comprar ações. Na prática, o investimento mínimo depende do preço unitário da ação que você deseja comprar. No mercado fracionário da B3, é possível comprar até 1 unidade de uma ação, o que significa que com R$ 10 ou R$ 20 já dá para começar a investir em algumas empresas.

No mercado lote padrão, as ações são negociadas em lotes de 100 unidades, o que pode elevar o valor mínimo dependendo do preço da ação. O mercado fracionário é a melhor opção para iniciantes que querem começar com pouco dinheiro e ir aumentando a posição gradualmente.

Ações têm garantia do FGC?

Não. As ações não possuem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O FGC protege apenas investimentos de renda fixa, como CDB, LCI, LCA e poupança, até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição. Em ações, o risco é integral do investidor.

Isso reforça a importância de investir apenas o dinheiro que você pode manter aplicado por anos, sem precisar resgatar em momentos de queda. A diversificação da carteira e o horizonte de longo prazo são as principais ferramentas de proteção disponíveis para o acionista.

Qual a diferença entre ação e fundo de investimento?

Ao comprar uma ação diretamente, você se torna acionista de uma empresa específica e tem controle total sobre quais empresas compõem sua carteira. Já em um fundo de investimento em ações, você aplica dinheiro em uma cesta gerida por um gestor profissional, que decide quais ações comprar e vender.

Os fundos cobram taxa de administração (geralmente entre 1% e 3% ao ano) e, em alguns casos, taxa de performance. Em contrapartida, oferecem diversificação instantânea e gestão especializada. Uma terceira opção são os ETFs (fundos de índice), que replicam índices como o Ibovespa com taxas baixas e alta diversificação, sendo ideais para investidores iniciantes.

Quando é o melhor momento para comprar ações?

A resposta honesta é: ninguém sabe prever com precisão o melhor momento para comprar ou vender ações. Mesmo os melhores gestores do mundo erram quando tentam fazer market timing (acertar o ponto exato de entrada e saída). Por isso, a estratégia mais recomendada por especialistas é o investimento regular e sistemático (também chamado de dollar cost averaging): investir uma quantia fixa todo mês, independente de o mercado estar em alta ou em baixa.

Essa abordagem reduz o risco de comprar tudo no pico do mercado e aproveita as quedas para acumular mais ações a preços menores. Com o tempo, o preço médio de compra tende a ser favorável, e os resultados a longo prazo costumam ser superiores àqueles obtidos por quem tenta acertar o timing perfeito.

Foto de Ana Carolina Giampietro

Ana Carolina Giampietro

Editora do Blog ComoInvestir.blog

Especialista em educação financeira, já fez centenas de palestras e é principal autora do Blog Como Investir. Caro leitor, espero que este guia tenha sido o ponto de partida que você precisava para entrar no mundo das ações com confiança.