Renda Variável O Que São Ações Ordinárias (ON)? Guia Completo 2026 Por Ana Carolina Giampietro Atualizado em junho de 2026 Leitura: 12 min Ações ON são os papéis que conferem…
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O Que São Ações Ordinárias (ON)? Guia Completo 2026
Ações ON são os papéis que conferem direito a voto nas assembleias das empresas — Foto: Unsplash
Se você já pesquisou sobre o que é uma ação, provavelmente esbarrou nos termos ON e PN. As ações ordinárias (ON) são as mais comuns no mercado brasileiro e garantem ao investidor o direito de participar das decisões da empresa. Neste guia completo, você vai entender tudo sobre esse tipo de ativo — como funcionam, quais direitos conferem e se vale a pena investí-las em 2026.
O Que São Ações Ordinárias e Como Funcionam
Uma ação ordinária é uma fração do capital social de uma empresa de capital aberto. Ao adquirir uma ação ON, o investidor torna-se soció da companhia e passa a ter direitos tanto patrimoniais — como receber dividendos — quanto políticos, como votar nas assembleias gerais.
No Brasil, as ações são regulamentadas pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/1976) e supervisionadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Toda empresa listada na B3 precisa ter pelo menos 50% de seu capital composto por ações ordinárias, o que já dá uma ideia da importância desse instrumento para o mercado.
Como identificar uma ação ordinária?
No home broker ou na plataforma da sua corretora, as ações ordinárias sempre terminam com o número 3 após o código de quatro letras da empresa. Por exemplo:
- PETR3 — Ação ordinária da Petrobras
- VALE3 — Ação ordinária da Vale
- ITUB3 — Ação ordinária do Itaú Unibanco
- BBAS3 — Ação ordinária do Banco do Brasil
Já as ações preferenciais terminam com 4 (ou 5, 6, 7, 8) e não concedem direito a voto em condições normais — porém, costumam oferecer preferência no recebimento de dividendos.
O “ticker” é o código de negociação de uma ação na bolsa. Nas ações ON, esse código sempre termina em 3. Exemplo: MGLU3 (Magazine Luiza ON), WEGE3 (WEG ON). Esse padrão facilita a identificação rápida do tipo de papel ao consultar o Índice Bovespa.
Como funciona a negociação das ações ON?
As ações ordinárias são negociadas no mercado à vista da B3, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h (horário de Brasília), com leilão de abertura e fechamento. O preço de cada ação é determinado pela oferta e demanda do mercado em tempo real. Quanto mais investidores querem comprar determinado papel, maior tende a ser a cotação.
A liquidação financeira ocorre em D+2, ou seja, dois dias úteis após a operação. Isso significa que, ao vender uma ação, o dinheiro só cai na sua conta dois dias úteis depois. Esse prazo é um padrão internacional e visa garantir a segurança das transações.
Quem pode comprar ações ordinárias?
Qualquer pessoa física ou jurídica com CPF ou CNPJ válido pode comprar ações na bolsa de valores, desde que tenha uma conta em uma corretora de valores devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil e pela CVM. Não é necessário ser rico ou ter grande capital — muitas ações são negociadas por menos de R$ 10 por unidade, e é possível começar com valores baixos através do mercado fracionário.
O mercado fracionário permite comprar menos de 100 ações de uma vez — basta adicionar a letra F ao final do ticker (ex.: PETR3F). Isso democratiza o acesso e permite que investidores iniciantes montem uma carteira diversificada com poucos recursos. Para quem já conhece o que é um CDB, investir em ações ON representa um passo além em termos de potencial de retorno — e também de risco.
Empresas listadas no Novo Mercado da B3 — o mais alto nível de governança corporativa — só podem emitir ações ordinárias. Isso significa que, ao investir em empresas como WEG, René Capitali e outras do Novo Mercado, você automaticamente compra ações ON. Esse critério garante maior transparência e proteção ao investidor minoritário.
Direitos do Acionista Ordinário: Voto e Tag Along
Ser dono de uma ação ordinária vai muito além de simplesmente esperar a cotação subir. Esse tipo de ação confere um conjunto robusto de direitos ao investidor, divididos em duas categorias principais: direitos políticos e direitos patrimoniais.
Direito de Voto nas Assembleias
O direito de voto é a característica mais marcante das ações ON. Cada ação ordinária equivale a um voto nas Assembleias Gerais Ordinárias (AGO) e Extraordinárias (AGE) da empresa. Nessas reuniões, os acionistas decidem questões fundamentais como:
- Aprovação das demonstrações financeiras anuais
- Eleição e destituicão dos membros do Conselho de Administração
- Distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP)
- Alterações no estatuto social da empresa
- Aprovação de fusões, aquisições e cisões
- Emissão de novas ações (diluição de capital)
Embora o investidor individual raramente consiga influenciar decisões por conta própria — já que grandes controladores detêm a maioria dos votos —, o direito de voto ainda é relevante. Fundos de investimento e investidores institucionais com grandes posições em ON utilizam esse direito ativamente para promover boas práticas de governança corporativa.
Desde 2018, a CVM permite que acionistas votem à distância nas assembleias por meio de plataformas digitais. Sua corretora pode oferecer essa funcionalidade diretamente no aplicativo, facilitando a participação mesmo para pequenos investidores.
Tag Along: Proteção em Caso de Venda do Controle
O tag along é um dos direitos mais importantes e menos conhecidos pelos investidores iniciantes. Ele garante que, caso o acionista controlador venda sua participação para um terceiro, os acionistas minoritários têm o direito de vender suas ações pelo mesmo preço (ou percentual mínimo desse preço).
Pela legislação brasileira, as ações ordinárias possuem tag along mínimo de 80% do valor pago pelo controle. Ou seja, se o controlador vendeu suas ações por R$ 100 cada, você tem o direito de vender as suas por pelo menos R$ 80. Empresas listadas no Novo Mercado oferecem 100% de tag along para todas as ações, o que é um diferencial importante de governança.
As ações preferenciais (PN) não têm tag along garantido por lei — apenas as empresas que optam por conceder esse benefício voluntariamente o oferecem. Por isso, em cenários de mudança de controle, o investidor de ações ON pode estar mais protegido.
Direito de Preferência na Subscrição
Quando uma empresa decide aumentar seu capital por meio da emissão de novas ações, os acionistas já existentes têm o direito de preferência para adquiri-las antes de outros investidores. Esse direito, chamado de direito de subscrição, evita a diluição da participação do acionista. Você pode exercer esse direito ou vendê-lo no mercado como um ativo separado (os chamados “direitos” que aparecem na sua carteira).
Dividendos e Juros sobre Capital Próprio
Acionistas ordinários também recebem dividendos — parcela do lucro líquido distribuída pela empresa. A Lei das S.A. obriga as empresas a distribuir no mínimo 25% do lucro ajustado como dividendo mínimo obrigatório, salvo previsão específica no estatuto. Para avaliar a atratividade dos dividendos de uma ação, utiliza-se o dividend yield, que relaciona o dividendo pago ao preço atual da ação.
Os dividendos recebidos por pessoas físicas são atualmente isentos de Imposto de Renda no Brasil, conforme regras da Receita Federal. Já os juros sobre capital próprio (JCP) sofrem retenção de 15% na fonte. Essa é uma vantagem tributária significativa em relação a outros investimentos de renda variável.
Ações ON vs PN: Qual é Melhor para Investir
A dúvida entre escolher ações ordinárias (ON) ou preferenciais (PN) é uma das mais comuns entre investidores brasileiros. Não existe uma resposta única — a melhor opção depende do seu perfil, objetivos e da empresa em questão. Veja a comparação completa:
| Característica | Ação ON (ordinária) | Ação PN (preferencial) |
|---|---|---|
| Direito de voto | Sim — sempre | Geralmente não |
| Preferência em dividendos | Não garantida | Sim — 10% a mais que ON |
| Tag along | Mínimo 80% por lei | Apenas se estatuto previr |
| Liquidez (em geral) | Maior no Novo Mercado | Varia por empresa |
| Ticker | Termina em 3 (ex.: VALE3) | Termina em 4 (ex.: VALE4) |
| Novo Mercado B3 | Apenas ON permitida | Não permitida |
| Preço relativo | Geralmente levemente maior | Geralmente levemente menor |
| Voto em assembleias críticas | Sim | Somente após 3 anos sem dividendo |
Quando as ações ON são melhores?
As ações ordinárias tendem a ser a escolha superior nas seguintes situações:
- Empresas listadas no Novo Mercado (onde só existe ON)
- Quando há risco real de mudança de controle e você quer proteção via tag along
- Investidores que valorizam governança corporativa e transparência
- Cenários em que a empresa é alvo potencial de aquisição hostil ou amigável
- Quando a diferença de dividend yield entre ON e PN é pequena
Quando as ações PN podem ser mais interessantes?
As ações preferenciais podem se destacar quando:
- A empresa paga dividendos generosos e a PN tem prioridade nessa distribuição
- O dividend yield da PN é significativamente superior ao da ON
- O investidor não se importa com o direito de voto e foca apenas no retorno financeiro
- A liquidez da PN é maior do que a da ON para aquela empresa específica
A Petrobras é um exemplo clássico de empresa com as duas classes de ações. Historicamente, a PETR4 (PN) tem maior liquidez e volume de negociação do que a PETR3 (ON). Porém, em momentos de risco de intervenção governamental ou mudança de controle, a proteção do tag along da PETR3 ganha valor. Analise sempre o contexto antes de decidir.
O fator da análise fundamentalista
A escolha entre ON e PN deve ser parte de uma análise mais ampla da empresa. A análise fundamentalista avalia indicadores como P/L (preço sobre lucro), ROE (retorno sobre patrimônio), dívida líquida e perspectivas de crescimento. Uma empresa sólida com boas perspectivas vai beneficiar os detentores de ON e PN de forma semelhante no longo prazo, sendo a estrutura de capital apenas um dos fatores a considerar.
As Principais Ações ON do Ibovespa em 2026
O Índice Bovespa (Ibovespa) é o principal benchmark da bolsa brasileira e concentra as ações de maior liquidez e volume financeiro do mercado. Em 2026, diversas ações ordinárias lideram em termos de peso no índice e popularidade entre os investidores. Conheça as principais:
| Ticker | Empresa | Setor | Destaque |
|---|---|---|---|
| VALE3 | Vale S.A. | Mineração | Alta liquidez |
| PETR3 | Petrobras | Petróleo e Gás | Tag along 100% |
| ITUB3 | Itaú Unibanco | Bancos | Dividendos regulares |
| BBAS3 | Banco do Brasil | Bancos | Alto dividend yield |
| WEGE3 | WEG S.A. | Indústria | Novo Mercado |
| RENT3 | Localiza Rent a Car | Mobilidade | Novo Mercado |
| RDOR3 | Rede D’Or | Saúde | Novo Mercado |
| SUZB3 | Suzano S.A. | Celulose | Exportação forte |
| HAPV3 | Hapvida | Saúde | Consolidação |
| EMBR3 | Embraer S.A. | Aeronaves | Ciclo favorável |
Por que o Novo Mercado é importante para o investidor de ON?
O Novo Mercado é o segmento mais rigoroso de listagem da B3 em termos de governança corporativa. Empresas como WEG, Localiza, Rede D’Or, Renner e Embraer estão nesse segmento e só possuem ações ordinárias. Isso significa que todos os acionistas têm os mesmos direitos, incluindo tag along de 100%, arbitragem para resolução de conflitos e obrigação de manter pelo menos 25% das ações em circulação (free float).
Para o investidor de longo prazo que utiliza a análise fundamentalista como base, empresas do Novo Mercado costumam ser mais transparentes e apresentam menor risco de conflito de interesse entre controladores e minoritários. Essa proteção extra é especialmente valiosa em cenários de crise ou reestruturaições empresariais.
Como acompanhar o desempenho das ações ON?
Para monitorar suas ações ordinárias, você pode utilizar diversas ferramentas:
- O home broker da sua corretora, que exibe cotações em tempo real
- O site oficial da B3, com informações sobre todas as ações listadas
- Aplicativos como StatusInvest, Fundamentei e Investidor10 para análise fundamentalista
- Relatórios de resultados trimestrais (ITR) e anuais (DFP) publicados na CVM
- Fatos relevantes e comunicados ao mercado disponíveis na plataforma da CVM
Uma estratégia comum entre investidores experientes é montar uma carteira com ações ON de setores diferentes — bancos, commodities, consumo, saúde e tecnologia. Isso reduz a concentração de risco e aproveita ciclos econômicos distintos. Combine essa diversificação com aportes regulares e a estratégia de reinvestimento de dividendos para potencializar os resultados no longo prazo.
Conclusão: Vale a Pena Investir em Ações Ordinárias?
As ações ordinárias são o instrumento fundamental para quem deseja se tornar sócio de grandes empresas brasileiras com plenos direitos de acionista. Elas combinam potencial de valorização de capital, recebimento de dividendos e proteções legais como o tag along, tornando-se uma opção sólida para a carteira de investimentos de longo prazo.
Para o investidor que valoriza governança corporativa e transparência, as empresas do Novo Mercado — que só emitem ON — representam o mais alto padrão disponível na bolsa brasileira. E para quem está começando, o acesso é simples: basta abrir conta em uma corretora e investir a partir de pequenos valores no mercado fracionário.
Checklist: O que você já sabe sobre ações ON?
- Ações ordinárias terminam com o número 3 no ticker (ex.: VALE3)
- Conferem direito de voto nas assembleias gerais da empresa
- Possuem tag along mínimo de 80% garantido por lei
- Empresas do Novo Mercado só emitem ações ON
- Podem ser compradas a partir de 1 unidade no mercado fracionário
- Dividendos recebidos por pessoas físicas são isentos de IR
- O direito de preferência protege contra a diluição em novas emissões
- A escolha entre ON e PN depende do perfil e dos objetivos do investidor
Perguntas Frequentes sobre Ações Ordinárias
A principal diferença está nos direitos conferidos a cada tipo de ação. A ação ordinária (ON) garante ao acionista o direito de voto nas assembleias da empresa e a proteção do tag along em caso de mudança de controle. Já a ação preferencial (PN) abre mão do voto em troca de preferência no recebimento de dividendos — geralmente 10% a mais do que o distribuído para as ações ordinárias.
Outra diferença relevante é que empresas listadas no segmento Novo Mercado da B3 só podem emitir ações ordinárias, o que garante igualdade de direitos entre todos os acionistas. Para o investidor que prioriza governança e transparência, as ações ON tendêm a ser mais adequadas. Já para quem foca exclusivamente na renda passiva de dividendos e não se preocupa com governança, a PN pode ser mais interessante em casos específicos.
O preço de uma ação ordinária varia conforme a empresa e as condições de mercado. Em 2026, é possível encontrar ações ON por valores que vão de menos de R$ 5 até centenas de reais por unidade. Por exemplo, uma ação do Banco do Brasil (BBAS3) pode custar por volta de R$ 25 a R$ 35, enquanto uma ação da WEG (WEGE3) pode ser negociada acima de R$ 40.
Para quem deseja começar com pouco dinheiro, o mercado fracionário permite comprar a partir de uma única ação, adicionando a letra “F” ao ticker (ex.: WEGE3F). Além do preço da ação, considere os custos de corretagem — muitas corretoras oferecem corretagem zero para ações — e a taxa de liquidação da B3, que é de 0,0275% por operação.
O tag along é um mecanismo legal que protege o acionista minoritário em caso de venda do controle acionário da empresa. Quando o controlador vende sua participação para um novo dono, os demais acionistas têm o direito de vender suas ações pelo mesmo preço (ou um percentual mínimo dele).
No Brasil, a Lei das S.A. garante tag along mínimo de 80% para as ações ordinárias. Isso significa que, se o controlador recebeu R$ 100 por ação, você tem direito de receber pelo menos R$ 80. Já no Novo Mercado, o tag along é de 100%, garantindo exatamente o mesmo preço. Sem esse mecanismo, o novo controlador poderia pagar um prêmio elevado ao antigo dono e depois depreciar o valor das ações dos minoritários. O tag along impede esse tipo de transferência de valor.
Sim, mas com algumas especificidades importantes. Para pessoas físicas, as regras são as seguintes: os dividendos recebidos são isentos de Imposto de Renda no Brasil (regra vigente em 2026, salvo mudanças legis lativas). Já os juros sobre capital próprio (JCP) sofrem retenção de 15% na fonte.
Quanto ao ganho de capital na venda das ações, há uma isenção para vendas totais inferiores a R$ 20.000 no mês. Acima desse valor, incide alíquota de 15% sobre o lucro. Para operações de day trade (compra e venda no mesmo dia), a alíquota é de 20%. O investidor é responsável por apurar e recolher o DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação. Consulte as regras atualizadas da Receita Federal para detalhar sua situação.
Sim, ações ON podem fazer parte da carteira de investidores iniciantes, desde que o investidor compreenda os riscos envolvidos. A renda variável, como o próprio nome sugere, não garante retorno fixo — o preço das ações pode subir ou cair conforme as condições econômicas e os resultados da empresa.
Para começar bem, especialistas recomendam: primeiro, construa sua reserva de emergência em investimentos seguros como o Tesouro Selic; depois, estude as empresas que pretende investir usando a análise fundamentalista; diversifique em pelo menos 5 a 10 empresas de setores diferentes; e invista apenas o dinheiro que não precisar no curto prazo. O horizonte de longo prazo — acima de 5 anos — historicamente favorece o investidor disciplinado em ações de qualidade.