Renda Fixa O Que é LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)? Guia Completo 2026 Por Ana Carolina Giampietro Atualizado em junho de 2026 Leitura: 12 min A LCA é um…
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O Que é LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)? Guia Completo 2026
A LCA é um título de renda fixa que financia o agronegócio brasileiro — e oferece isenção de IR para pessoas físicas.
A LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é um dos investimentos de renda fixa mais populares do Brasil em 2026. Isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas, protegida pelo FGC e oferecida por bancos de todo o país, a LCA combina segurança, rentabilidade e praticidade. Neste guia completo, você vai entender exatamente o que é uma LCA, como ela funciona, como compará-la ao CDB e à LCI, e como investir passo a passo.
1. O Que é LCA e Como Funciona
A Letra de Crédito do Agronegócio é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras — bancos, cooperativas de crédito e outras entidades autorizadas pelo Banco Central do Brasil — com o objetivo de captar recursos destinados ao financiamento do setor agrícola. Em termos práticos, quando você compra uma LCA, está emprestando dinheiro para uma instituição financeira, que por sua vez destina esses recursos a produtores rurais, cooperativas agrícolas e empresas do agronegócio.
A regulamentação das LCAs está prevista na Lei nº 11.076/2004, que criou diversos títulos voltados ao crédito rural no Brasil. Desde então, o instrumento cresceu de forma expressiva e hoje representa uma das principais alternativas de captação dos bancos para financiar a produção agrícola nacional.
Como a LCA Remunera o Investidor
A LCA pode ser oferecida com três tipos de remuneração distintos:
LCA prefixada: a taxa de juros é definida no momento da contratação e não muda até o vencimento. Por exemplo, uma LCA prefixada a 12% ao ano pagará exatamente 12% sobre o valor investido, independentemente do que acontecer com os juros da economia. É ideal para quem acredita que as taxas vão cair no futuro.
LCA pós-fixada: a remuneração é indexada ao CDI (Certificado de Depósito Interbanciário), que acompanha de perto a taxa Selic. Nesse modelo, o banco pode oferecer, por exemplo, 95% do CDI. Se o CDI for 10,5% ao ano, o investidor receberá 9,975% ao ano. É a modalidade mais comum no mercado.
LCA híbrida (IPCA+): combina uma taxa prefixada com a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Por exemplo, IPCA + 5% ao ano. Essa modalidade protege o poder de compra do investidor contra a inflação, sendo muito buscada em períodos de incerteza econômica.
Desde janeiro de 2023, as LCAs passaram a ter um prazo mínimo de carência de 9 meses para emissões pós-fixadas e de 12 meses para emissões prefixadas e híbridas, conforme a Resolução CMN nº 5.008/2022. Antes dessa resolução, havia LCAs com liquidez diária, o que mudou o perfil do produto.
Quem Pode Emitir uma LCA
Nem toda instituição financeira pode emitir LCAs. Segundo o Banco Central, apenas bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial ou de investimento, bancos de investimento, Caixa Econômica Federal, cooperativas de crédito e certas instituições especializadas em crédito rural estão autorizados a emiti-las. Isso garante que o recurso captado realmente chegue ao setor agrícola.
Isento de IR: A Grande Vantagem da LCA
O principal diferencial da LCA em relação a outros investimentos de renda fixa é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Isso significa que todo o rendimento bruto é o rendimento líquido para o investidor individual. No CDB, por exemplo, há incidência de IR regressivo: de 22,5% para aplicações até 6 meses até 15% para aplicações acima de 2 anos. A isenção da LCA torna-a bastante competitiva, especialmente para investimentos de prazo mais curto.
Para pessoas jurídicas, entretanto, a LCA não é isenta de IR. As empresas seguem a tabela regressiva normal da renda fixa. Por isso, a LCA é um produto voltado predominantemente ao investidor pessoa física.
Vinculação ao Agronegócio
O nome “Letra de Crédito do Agronegócio” reflete a obrigatoriedade legal de que os recursos captados sejam vinculados a operações relacionadas ao setor rural. O banco emissor deve manter, em sua carteira, créditos agrícolas que lastreiem as LCAs emitidas. Isso inclui financiamentos para custeio, investimento e comercialização de produtos agrícolas, bem como a aquisição de máquinas, implementos e insumos agrícolas.
Essa vinculação faz da LCA um instrumento que vai além do simples investimento pessoal: ao aplicar em LCA, o investidor contribui indiretamente para o financiamento do agronegócio, setor que responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, segundo dados da B3 e de entidades setoriais.
Título de renda fixa emitido por bancos • Financia o agronegócio brasileiro • Isento de IR para pessoas físicas • Protegido pelo FGC até R$ 250.000 por CPF/instituição • Carência mínima de 9 a 12 meses • Três tipos de remuneração: prefixada, pós-fixada (CDI) e híbrida (IPCA+)
2. LCA vs LCI vs CDB: Comparação Completa
Quem começa a pesquisar sobre renda fixa inevitavelmente se depara com três siglas muito próximas: LCA, LCI e CDB. Entender as diferenças entre eles é essencial para tomar boas decisões de investimento. Vamos analisar cada aspecto relevante.
Origem e Destinação dos Recursos
A principal diferença entre LCA e LCI está no setor que recebe os recursos captados. Enquanto a LCA financia o agronegócio, a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) financia o setor imobiliário — construções, financiamentos habitacionais e operações do mercado de imóveis. Ambas são isentas de IR para pessoas físicas. Já o CDB (Certificado de Depósito Bancário) não tem vinculação setorial: os recursos podem ser utilizados livremente pelo banco emissor, e há incidência de IR sobre os rendimentos.
| Característica | LCA | LCI | CDB |
|---|---|---|---|
| Setor financiado | Agronegócio | Imobiliário | Livre |
| Imposto de Renda (PF) | Isento | Isento | 15% a 22,5% |
| Cobertura FGC | Sim | Sim | Sim |
| Carência mínima | 9–12 meses | 9–12 meses | Varia (pode ter liquidez diária) |
| Liquidez diária disponível | Não (desde 2023) | Não (desde 2023) | Sim (em alguns casos) |
| Rentabilidade típica | 85%–100% CDI | 85%–100% CDI | 90%–130% CDI |
| Emissores | Bancos autorizados | Bancos e imobiliárias | Qualquer banco |
| Risco | Baixo (com FGC) | Baixo (com FGC) | Baixo (com FGC) |
Quando a LCA Vence o CDB na Prática
Apesar de o CDB frequentemente oferecer taxas nominais maiores, a isenção de IR da LCA pode torná-la mais rentável na prática. Para fazer a comparação correta, utilize a fórmula de taxa equivalente bruta:
Taxa equivalente = Taxa LCA ÷ (1 − Alíquota IR)
Exemplo: LCA a 92% CDI vs. CDB por 1 ano (IR = 17,5%):
92% ÷ (1 − 0,175) = 92% ÷ 0,825 = 111,5% CDI bruto. Isso significa que o CDB precisaria pagar mais de 111,5% do CDI para superar a LCA a 92% CDI em 1 ano.
Esse cálculo é fundamental para não se iludir com taxas nominais. Um CDB a 110% CDI parece muito melhor do que uma LCA a 92% CDI — mas, após o IR de 17,5% (aplicação de 1 a 2 anos), o CDB rende líquido apenas 90,75% CDI, ou seja, a LCA ganha.
LCA vs Tesouro Direto
Outro comparativo relevante é com o Tesouro Direto. Os títulos públicos do governo federal têm a garantia soberana da União, o que é considerado o menor risco possível na economia brasileira. Já a LCA tem cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição. O Tesouro também tem incidência de IR e uma taxa de administração na B3. Para valores dentro do limite do FGC, a LCA pode oferecer rentabilidade líquida superior ao Tesouro Selic, por exemplo.
Diversificação da Carteira com LCA e LCI
Muitos investidores optão por combinar LCA e LCI na carteira de renda fixa. Como ambas são isentas de IR e protegidas pelo FGC, a estratégia de diversificar entre emissores e prazos distintos permite otimizar a rentabilidade líquida. É importante lembrar que o limite do FGC de R$ 250.000 por CPF/instituição engloba todos os produtos cobertos, e há um limite global de R$ 1.000.000 por CPF a cada quatro anos.
O limite de R$ 250.000 do FGC é por CPF e por instituição financeira, não por produto. Se você tiver R$ 200.000 em CDB e R$ 100.000 em LCA no mesmo banco, apenas R$ 250.000 estão cobertos. Para valores maiores, distribua entre diferentes instituições.
IOF nas Aplicações de Curto Prazo
Diferentemente do CDB, que cobra IOF regressivo nos primeiros 29 dias, a LCA não sofre incidência de IOF, pois seu prazo mínimo de carência é de 9 meses — bem acima dos 30 dias a partir dos quais o IOF deixa de ser cobrado em aplicações financeiras. Portanto, o investidor de LCA está sempre além da faixa de cobrança do IOF.
3. Como Investir em LCA: Passo a Passo Prático
Investir em LCA é um processo relativamente simples, mas exige atenção a alguns detalhes para garantir que você escolha as melhores oportunidades. Veja o passo a passo completo para 2026.
Passo 1: Defina Seu Perfil e Objetivos
Antes de qualquer coisa, entenda para que você está investindo. LCAs têm carência mínima de 9 a 12 meses, o que significa que você não poderá resgatar o dinheiro antes desse prazo sem penalidades (em alguns casos, simplesmente não há resgate antecipado). Portanto, a LCA é adequada para recursos que você não precisará no curto prazo. Se precisar de liquidez imediata, considere um CDB com liquidez diária ou o Tesouro Selic.
Passo 2: Escolha a Instituição Financeira
LCAs são oferecidas por uma ampla variedade de instituições: grandes bancos, bancos digitais, corretoras de investimentos e plataformas de renda fixa. As melhores taxas geralmente vêm de bancos médios e pequenos, que precisam oferecer taxas mais atrativas para captar recursos. Plataformas como XP Investimentos, BTG Pactual, Rico, Nu Invest e outras oferecem LCAs de múltiplos emissores em um único lugar.
Grandes bancos (Itaú, Bradesco, Santander) frequentemente oferecem LCAs com taxas menores, como 85% a 90% do CDI. Bancos médios e digitais costumam oferecer 95% a 102% do CDI. Como ambos são cobertos pelo FGC (até o limite), a diferença de taxa é rentabilidade pura para o investidor dentro do limite garantido.
Passo 3: Compare as Taxas Disponíveis
Para comparar LCAs de diferentes emissores, sempre use a taxa CDI equivalente e verifique o prazo. Uma LCA a 100% CDI com vencimento em 2 anos pode ser menos interessante do que uma LCA a 98% CDI com vencimento em 1 ano, dependendo da sua necessidade de liquidez. Compare também as modalidades: LCA pós-fixada (CDI) versus híbrida (IPCA+). Em cenários de inflação elevada, o IPCA+ pode ser mais vantajoso para preservar o poder de compra.
Passo 4: Verifique o Investimento Mínimo
O valor mínimo para investir em LCA varia bastante por emissor. Em grandes bancos, pode ser de R$ 1.000, R$ 5.000 ou até R$ 50.000. Nas plataformas digitais e em bancos menores, é comum encontrar LCAs a partir de R$ 500 ou até R$ 1.000. Antes de aplicar, confirme o valor mínimo diretamente na plataforma escolhida.
Passo 5: Analise o Emissor — Risco de Crédito
Mesmo com a cobertura do FGC, é importante verificar a saúde financeira do banco emissor. Consulte a nota de crédito (rating) da instituição em agências como Fitch, Moody’s ou S&P. Bancos com rating mais baixo tendem a oferecer taxas maiores justamente pelo risco de crédito mais elevado. Para aplicações dentro do limite do FGC, esse risco é mitigado, mas é sempre bom conhecer o emissor.
Passo 6: Realize a Aplicação
Após escolher a LCA, o processo de aplicação é simples: acesse o site ou aplicativo da instituição, selecione a LCA desejada, confirme os dados (taxa, prazo, valor mínimo) e autorize a transferência. O dinheiro sai da sua conta corrente ou conta na plataforma e já começa a render no dia útil seguinte à aplicação. A LCA aparecerá no seu extrato com as informações de vencimento e rentabilidade contratada.
Passo 7: Acompanhe e Planeje o Vencimento
Mantenha um controle das datas de vencimento das suas LCAs. Como não há liquidez diária, é essencial saber quando cada título vencerá para planejar o reinvestimento. Muitas plataformas oferecem alertas automáticos próximos ao vencimento. Ao resgatar, avalie as opções disponíveis no mercado para reinvestir com as melhores condições.
| Perfil do Investidor | Melhor Tipo de LCA | Prazo Sugerido | Observação |
|---|---|---|---|
| Conservador, quer segurança | Pós-fixada (CDI) | 12–24 meses | Acompanha Selic; previsível |
| Conservador, teme inflação | Híbrida (IPCA+) | 24–48 meses | Protege poder de compra |
| Moderado, acredita em queda de juros | Prefixada | 12–36 meses | Trava a taxa atual |
| Qualquer perfil com reserva de emergência | Não usar LCA | — | Use CDB líquido ou Tesouro Selic |
Declaração no Imposto de Renda
Embora a LCA seja isenta de IR sobre os rendimentos, ela deve ser declarada no Imposto de Renda como bem e direito (código 45 — aplicações de renda fixa) pela pessoa física obrigada a declarar. O valor a ser informado é o saldo da aplicação em 31 de dezembro do ano-calendário. Para dúvidas sobre a declaração, consulte o site da Receita Federal.
4. LCA é Segura? FGC e Riscos do Investimento
A pergunta que todo investidor faz antes de aplicar é: “Meu dinheiro está seguro?” No caso da LCA, a resposta é sim — com algumas ressalvas importantes que todo investidor precisa conhecer.
O FGC: Seu Principal Escudo
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 com o objetivo de proteger os depositantes e investidores em caso de falência ou liquidação de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. A LCA está entre os produtos cobertos pelo FGC.
A cobertura é de até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira (incluindo principal e juros). Há também um limite global de R$ 1.000.000 por CPF a cada período de quatro anos. Isso significa que, se o banco emissor da sua LCA quebrar, o FGC reembolsa o valor até esses limites. Na prática, para a maioria dos investidores pessoas físicas com aplicações moderadas, o FGC cobre praticamente todo o risco.
Principal investido + Juros acumulados até a data do evento (intervenção ou liquidação) • Limite: R$ 250.000 por CPF por instituição • Limite global: R$ 1.000.000 por CPF a cada 4 anos • Prazo de pagamento: geralmente em até 3 meses após o evento.
Risco de Crédito: O Risco do Emissor
O principal risco da LCA é o risco de crédito do emissor: a possibilidade de o banco não honrar seus compromissos. Embora o FGC mitigue esse risco até o limite estabelecido, vale destacar alguns pontos:
Para valores acima de R$ 250.000 no mesmo banco: o excedente não é coberto pelo FGC. Se investir R$ 400.000 em LCA do mesmo banco e ele quebrar, você receberá apenas R$ 250.000. A solução é diversificar entre instituições diferentes.
Risco do processo de ressarcimento: mesmo coberto pelo FGC, o investidor pode ficar sem acesso ao dinheiro por semanas ou meses enquanto o processo de ressarcimento ocorre. Esse “custo” de iliquidez temporária é real e deve ser considerado.
Risco de Mercado: Variação das Taxas
Para LCAs prefixadas e híbridas negociadas no mercado secundário antes do vencimento, existe o chamado risco de mercado: se as taxas de juros subirem após a compra, o preço do título no mercado cai. Entretanto, se o investidor mantiver a LCA até o vencimento, receberá exatamente a taxa contratada, sem perda. O risco de mercado é relevante apenas para quem precisa vender antes do prazo.
Risco de Liquidez
Como mencionado, a LCA não tem liquidez diária desde 2023. Isso significa que, se você precisar do dinheiro antes do vencimento, pode não conseguir resgatá-lo — ou pode ter que vendê-lo no mercado secundário com deságio. Esse é o principal risco operacional da LCA e reforça a importância de investí-la apenas com recursos que não serão necessários no período de carência.
Risco de Inflação (LCA Prefixada)
Em LCAs prefixadas, se a inflação subir acima da taxa contratada, o rendimento real (acima da inflação) pode ser negativo. Por exemplo, uma LCA prefixada a 11% a.a. com inflação de 12% a.a. resulta em perda de poder de compra de aproximadamente 1% ao ano. Para se proteger desse risco, prefira LCAs atreladas ao IPCA.
Nunca aloque sua reserva de emergência em LCA. A ausência de liquidez diária pode deixar você sem acesso ao dinheiro justamente quando mais precisar. Use o Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária para a sua reserva de emergência, e invista em LCA apenas os recursos excedentes com horizonte de médio e longo prazo.
Comparativo de Segurança: LCA vs Outros Investimentos
| Investimento | Garantia | Limite | Liquidez | Risco Principal |
|---|---|---|---|---|
| LCA | FGC | R$ 250 mil/CPF/inst. | Média (carência) | Crédito do emissor |
| LCI | FGC | R$ 250 mil/CPF/inst. | Média (carência) | Crédito do emissor |
| CDB | FGC | R$ 250 mil/CPF/inst. | Alta (liquidez diária) | Crédito do emissor |
| Tesouro Direto | Governo Federal | Sem limite | Alta (D+1) | Risco soberano (mínimo) |
| Ações e Dividendos | Sem garantia | — | Alta (mercado) | Mercado e empresa |
Como Maximizar a Segurança ao Investir em LCA
Para investir em LCA com máxima segurança, siga estas recomendações: distribua seu capital entre diferentes instituições financeiras, respeitando o limite do FGC; prefira emissores com boas notas de crédito; invista apenas o dinheiro que não precisará antes do vencimento; e mantenha sempre uma reserva de emergência em ativos de liquidez imediata, como o Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária.
Conclusão: LCA Vale a Pena em 2026?
A LCA segue sendo uma das melhores opções de renda fixa para o investidor pessoa física brasileiro em 2026. A combinação de isenção de IR, cobertura do FGC e rentabilidade competitiva a torna especialmente atrativa para quem busca segurança com bom retorno líquido. O ponto de atenção é o prazo de carência: planeje-se para investir apenas recursos com horizonte de pelo menos 9 a 12 meses.
Checklist: Antes de Investir em LCA
- Verifiquei que o dinheiro não será necessário antes do prazo de carência
- Calculei a taxa equivalente bruta para comparar com o CDB
- Pesquisei diferentes emissores para encontrar a melhor taxa
- Confirmei que o valor está dentro do limite de cobertura do FGC (R$ 250 mil)
- Escolhi o tipo de remuneração adequado ao meu objetivo (CDI, prefixado ou IPCA+)
- Verifiquei o valor mínimo de aplicação na plataforma escolhida
- Mantive minha reserva de emergência separada em ativos líquidos
- Anotei a data de vencimento para planejar o reinvestimento
Perguntas Frequentes sobre LCA
A LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos destinados ao financiamento do setor agrícola e do agronegócio brasileiro. Já a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) tem a mesma estrutura, mas os recursos captados são direcionados ao setor imobiliário — construções, financiamentos habitacionais e operações relacionadas a imóveis.
Do ponto de vista do investidor, LCA e LCI são praticamente idênticas: ambas são isentas de IR para pessoas físicas, protegidas pelo FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição, e sujeitas ao prazo mínimo de carência de 9 a 12 meses. A escolha entre uma e outra geralmente se resume à taxa oferecida: analise qual paga mais e escolha aquela. Em alguns momentos, bancos com maior carteira de crédito imobiliário oferecem melhores taxas de LCI, enquanto bancos ligados ao agronegócio têm melhores LCAs.
Do ponto de vista macroeconômico, ambas cumprem papel social relevante: a LCA financia a produção de alimentos e matérias-primas, enquanto a LCI apoia a geração de moradia. Para o investidor, o que importa é a rentabilidade líquida e a segurança do emissor — ambos os produtos oferecem esses atributos de forma equivalente.
Não. Desde a Resolução CMN nº 5.008/2022, que entrou em vigor em janeiro de 2023, as LCAs emitidas têm prazo mínimo de carência de 9 meses para emissões pós-fixadas (CDI) e 12 meses para emissões prefixadas e híbridas (IPCA+). Antes dessa data, era possível encontrar LCAs com liquidez diária no mercado, mas isso não existe mais nas emissões atuais.
Isso significa que, após aplicar em uma LCA, você não poderá resgatar o dinheiro antes de 9 ou 12 meses, dependendo do tipo. Após o período de carência, algumas LCAs oferecem liquidez diária até o vencimento, enquanto outras só permitem o resgate na data de vencimento do título. Verifique as condições específicas de cada título antes de investir.
Existe a possibilidade de vender a LCA no mercado secundário antes do vencimento, mas isso pode ocorrer com deságio (abaixo do valor de mercado), e nem todas as plataformas oferecem essa opção. Por isso, a LCA deve ser considerada um investimento de médio e longo prazo, adequado apenas para recursos que você não precisará no período de carência.
A rentabilidade da LCA depende do tipo de remuneração contratada e das condições de mercado no momento da aplicação. Para LCAs pós-fixadas (CDI), o rendimento é expresso como um percentual do CDI. Em junho de 2026, com o CDI em torno de 13,15% ao ano, uma LCA a 95% do CDI renderia aproximadamente 12,49% ao ano bruto e líquido (por ser isenta de IR para pessoas físicas).
Para uma simulação simples: suponha que você investe R$ 10.000 em uma LCA a 95% do CDI por 12 meses, com CDI médio de 13,15% a.a. Rendimento bruto = R$ 10.000 × 0,9 = 12,49% ao ano = R$ 1.249. Rendimento líquido para PF = R$ 1.249 (sem IR). Se fosse um CDB a 100% CDI (R$ 1.315 bruto), com IR de 17,5% para 1 ano: R$ 1.315 × (1 − 0,175) = R$ 1.085 líquido. Portanto, a LCA a 95% CDI venceria o CDB a 100% CDI em 1 ano.
Para LCAs híbridas (IPCA+), o rendimento real depende da inflação do período mais a taxa prefixada. Uma LCA IPCA + 6% ao ano com inflação de 4,5% resultaria em rendimento nominal de aproximadamente 10,5% a.a. — mas garantindo que o poder de compra do investidor será preservado. Use sempre ferramentas de simulação das corretoras para calcular o rendimento exato conforme as taxas vigentes.
Na imensa maioria dos cenários econômicos, sim, a LCA é melhor do que a poupança. A poupança tem um rendimento limitado por lei: quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende fixos 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial), o que corresponde a cerca de 6,17% ao ano + TR. Quando a Selic está em 13% ao ano, a poupança rende algo como 6,2% a 6,5% ao ano — enquanto uma LCA a 95% do CDI rende cerca de 12,3% ao ano líquido.
A poupança tem como únicas vantagens a liquidez imediata (pode sacar a qualquer momento, mas perde os rendimentos se sacar antes do “aniversário” mensal) e a total ausência de burocracia: praticamente todos os brasileiros já têm acesso a ela. A poupança também é isenta de IR para pessoas físicas, mas isso não compensa a rentabilidade muito inferior.
Para quem já tem a reserva de emergência coberta e quer fazer o dinheiro trabalhar melhor, migrar da poupança para LCA é quase sempre uma decisão financeira correta. A ressalva é o prazo de carência: não transfira para a LCA os recursos que poderá precisar nos próximos 9 a 12 meses.
Sim, pessoas jurídicas podem investir em LCA. No entanto, a principal vantagem da LCA — a isenção de Imposto de Renda — não se aplica a empresas. Para pessoas jurídicas, os rendimentos da LCA são tributados normalmente conforme a tabela regressiva de IR: 22,5% para aplicações até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias, e 15% acima de 720 dias.
Isso muda completamente o cálculo de atratividade da LCA para empresas. Como a taxa nominal da LCA costuma ser menor do que a do CDB (exatamente porque a isenção de IR compensa para o PF), a LCA pode ser menos interessante do que um CDB para pessoas jurídicas que pagam IR sobre os rendimentos da mesma forma.
Empresas que investem com recursos de caixa devem comparar a rentabilidade líquida após IR de cada opção: LCA vs CDB vs Fundo de Renda Fixa. Na maioria dos casos, o CDB com taxas mais altas ou fundos de renda fixa serão mais vantajosos para PJ. Consulte um contador ou assessor de investimentos para otimizar a gestão do caixa empresarial, observando as regras da Receita Federal.