Renda Variável

O Que é Corretagem? Tudo Sobre as Taxas de Corretoras de Investimento

Por Ana Carolina Giampietro
Atualizado em junho de 2026
Leitura: 14 min

Gráficos de investimentos em tela de computador representando taxas de corretagem

Entender a taxa de corretagem é essencial para maximizar seus lucros na Bolsa de Valores. © Unsplash

A taxa de corretagem é um dos custos mais importantes — e muitas vezes ignorados — por quem investe na Bolsa de Valores. Entender como ela funciona, quais corretoras cobram mais e se a “corretagem zero” realmente existe pode fazer uma diferença enorme no rendimento final dos seus investimentos.

O Que é Corretagem e Como Ela é Cobrada

Quando você decide comprar ou vender uma ação, um fundo imobiliário, um ETF ou qualquer outro ativo negociado na B3, essa operação não acontece de forma direta. Você precisa de um intermediário — a corretora de valores — que acessa o sistema da bolsa em seu nome e executa a ordem. Em troca desse serviço, a corretora cobra uma remuneração chamada taxa de corretagem.

Em termos simples, corretagem é a comissão paga à corretora por cada operação realizada no mercado financeiro. Assim como um corretor de imóveis recebe uma comissão ao fechar um negócio, a corretora de valores recebe a sua parte toda vez que você executa uma compra ou venda de ativos.

Essa taxa pode ser cobrada de diferentes maneiras dependendo da instituição e do tipo de ativo negociado. No mercado de renda variável — especialmente no mercado à vista de ações — as formas mais comuns de cobrança são a taxa fixa por ordem, a taxa percentual sobre o volume e, mais recentemente, a corretagem zero, modelo adotado por diversas corretoras digitais.

Saiba mais: O que são ações?

Antes de entender a corretagem, é importante saber o que você está comprando. Acesse nosso guia completo: O que é Ação.

Além da taxa de corretagem em si, é fundamental entender que ela não é o único custo de uma operação na bolsa. Existem outros encargos que incidem sobre cada transação e que muitas vezes passam despercebidos pelo investidor iniciante.

Outros custos além da corretagem

Independentemente da corretora escolhida, toda operação na B3 está sujeita a algumas taxas obrigatórias cobradas pela própria bolsa:

  • Taxa de liquidação: 0,0275% sobre o valor financeiro da operação, cobrada pela B3 para liquidar e registrar os ativos na sua conta.
  • Taxa de registro (Emolumentos): varia conforme o tipo de mercado e a operação, mas gira em torno de 0,0050% a 0,0200% no mercado à vista.
  • Taxa de ISS: em alguns municípios, incide sobre o valor da corretagem cobrada pela corretora.
  • Imposto de Renda: há incidência de IR sobre os lucros obtidos nas vendas acima de R$ 20.000 mensais no mercado à vista. Para day trade, o IR é obrigatório sobre qualquer valor. Consulte as regras atualizadas da Receita Federal.

Portanto, mesmo que a corretora ofereça corretagem zero, você ainda pagará as taxas da B3 e os tributos cabíveis. Para quem opera com volumes maiores, esses custos podem ser significativos ao longo do tempo.

Outro ponto importante é que a corretagem é cobrada por ordem executada, não por ativo. Isso significa que se você compra 100 ações de uma empresa em uma única ordem, paga uma corretagem. Mas se parcelar a compra em três ordens distintas (por exemplo, 30, 30 e 40 ações), pagaá a taxa três vezes. Essa é uma informação valiosa para reduzir custos operacionais.

Atenção ao day trade!

Para operações de day trade (compra e venda no mesmo dia), as taxas costumam ser mais altas e o IR é sempre obrigatório, independentemente do volume negociado. Além disso, há incidência de IRRF de 1% sobre o lucro na fonte. Fique atento às regras do Banco Central e da Receita Federal.

Compreender como a corretagem é cobrada é o primeiro passo para qualquer investidor que deseja ter controle real sobre seus custos operacionais. A importância disso fica ainda mais evidente quando analisamos os diferentes modelos de cobrança existentes no mercado brasileiro, que serão detalhados na próxima seção.

Tipos de Taxas de Corretagem: Fixa, Variável e Zero

O mercado brasileiro de corretoras evoluiu muito nos últimos anos, especialmente com a chegada das fintechs e corretoras 100% digitais. Hoje existem basicamente três modelos de cobrança de corretagem, cada um com suas vantagens e desvantagens dependendo do perfil e do volume do investidor.

1. Taxa Fixa por Ordem

Neste modelo, a corretora cobra um valor fixo pré-determinado a cada ordem executada, independentemente do volume financeiro da operação. Por exemplo, se a corretora cobra R$ 10,00 por ordem, você pagará R$ 10,00 tanto se comprar R$ 500,00 em ações quanto se comprar R$ 50.000,00.

Esse modelo é mais vantajoso para investidores que operam com volumes maiores, já que o custo percentual cai à medida que o valor da operação aumenta. Para quem investe R$ 10.000,00 por ordem e paga R$ 10,00 de corretagem, o custo é de apenas 0,10%. Para quem investe R$ 500,00, esse mesmo valor representa 2% — um custo muito elevado.

Antigamente, as corretoras tradicionais (bancos e corretoras mais antigas) adotavam majoritariamente esse modelo. Alguns ainda praticam, embora os valores cobrados possam variar bastante — de R$ 5,00 a mais de R$ 25,00 por ordem em algumas instituições.

2. Taxa Percentual sobre o Volume

Neste modelo, a corretagem é calculada como um percentual do valor total da operação. Se a corretora cobra 0,5% e você negocia R$ 2.000,00 em ações, a taxa será de R$ 10,00. Se negociar R$ 10.000,00, será R$ 50,00.

Esse modelo é proporcionalmente mais justo para pequenos investidores, pois os custos crescem de forma linear com o volume. Contudo, para quem opera grandes volumes, o custo pode se tornar expressivo. É muito comum em plataformas mais antigas ou em produtos específicos como fundos de ações geridos por corretoras tradicionais.

Um ponto importante: em operações de renda fixa, como CDB e LCI, a “corretagem” costuma estar embutida no próprio spread do produto — ou seja, a corretora compra o título do banco emissor por uma taxa e oferece ao cliente por uma taxa menor, ficando com a diferença.

3. Corretagem Zero

O modelo de corretagem zero foi popularizado por corretoras digitais como XP Investimentos, Rico, Clear, Toro e Inter. Nele, a corretora não cobra taxa por ordem de compra ou venda de ações à vista. É um modelo extremamente atrativo, especialmente para investidores de longo prazo que fazem aportes menores e frequentes.

No entanto, como discutiremos na próxima seção, “corretagem zero” não significa “custo zero”. As corretoras que adotam esse modelo se remuneram de outras formas, como cobrança de taxas em outros produtos, receita com juros sobre saldo em conta, venda de order flow e receita de assessoria de investimentos.

Dica para iniciantes

Se você está começando a investir com valores menores (até R$ 1.000 por operação), prefira corretoras com corretagem zero no mercado à vista. As taxas fixas ou percentuais podem consumir uma parte significativa do seu rendimento nos primeiros anos.

Além desses três modelos principais, alguns produtos financeiros específicos possuem regras próprias. No mercado de opções, por exemplo, é comum a cobrança de taxa por contrato. No mercado futuro (mini contratos de índice e dólar), a corretagem geralmente é cobrada por contrato negociado, podendo variar de R$ 0,10 a R$ 3,00 por mini contrato dependendo da corretora. Para quem acompanha o Ibovespa e opera minicontratos de índice, essa taxa é determinante para a lucratividade das operações.

Entender qual modelo se adapta melhor ao seu perfil de investidor é fundamental. Para isso, é necessário conhecer seu volume médio de operações, a frequência das suas transações e os produtos que pretende negociar — fatores que discutiremos em detalhe na próxima seção.

Como Escolher uma Corretora com as Menores Taxas

Escolher a corretora certa é uma das decisões mais importantes que um investidor pode tomar. Mas “menor taxa” nem sempre significa “melhor opção”. É preciso avaliar o conjunto completo de custos, a qualidade da plataforma, a variedade de produtos e a solidez da instituição.

Mapeie seu perfil de investidor

Antes de comparar corretoras, defina seu perfil. Você é um investidor de longo prazo que compra ações para receber dividendos e valorização gradual? Ou é um trader ativo que realiza dezenas de operações por semana? A resposta muda completamente qual modelo de corretagem é mais adequado.

Para o investidor de longo prazo que faz poucos aportes mensais em ações preferenciais ou ordiniárias, a corretagem zero é quase sempre a melhor opção. Já para o trader que opera minicontratos ou opções com alta frequência, uma taxa fixa muito baixa por contrato pode ser mais vantajosa do que certos modelos percentuais.

Avalie todos os custos, não apenas a corretagem

Uma corretora com corretagem zero pode cobrar taxa de custódia mensal, tarifa de TED/DOC para transferência, taxa de inatividade (caso você não opere por determinado período) ou spreads mais elevados em produtos de renda fixa. Esses custos podem anular a economia obtida com a corretagem zero.

Faça o seguinte exercício: liste todos os produtos que pretende usar (ações, FIIs, ETFs, CDB, Tesouro Direto) e verifique todos os custos envolvidos em cada um deles para cada corretora que está avaliando. O custo total anual é mais revelador do que qualquer taxa isolada.

Considere a qualidade da plataforma e ferramentas

Uma plataforma ruim, instabilidades técnicas no momento de executar uma ordem ou a ausência de ferramentas de análise fundamentalista podem custar muito mais do que alguns reais de corretagem. Prefira corretoras com aplicação bem avaliada, suporte ágil e plataforma estável.

Verifique a regulamentação e a segurança

Todas as corretoras que operam no Brasil devem ser autorizadas pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Verifique se a corretora está regularizada antes de abrir conta. Além disso, confira se ela é membro do Fundo Garantidor do Mercado de Capitais (FGMC), que oferece proteção de até R$ 250.000 em caso de insolvabilidade da corretora.

Tabela comparativa: principais corretoras do Brasil

CorretoraCorretagem Ações (à vista)MinicontratoTaxa de CustódiaPlataformaPerfil Ideal
Clear CorretoraZeroR$ 0,00 (até 5/dia)GratuítaProfit ProTraders e iniciantes
Rico InvestimentosZeroR$ 0,99 / contratoGratuítaRico App / WebIniciantes e longo prazo
XP InvestimentosZeroR$ 0,99 / contratoGratuítaXP App / Trader EvolutionTodos os perfis
Inter InvestZeroR$ 0,50 / contratoGratuítaInter AppUsuários do banco Inter
Toro InvestimentosZeroR$ 0,50 / contratoGratuítaToro AppIniciantes e longo prazo
Avenue SecuritiesUS$ 0,00 (EUA)N/AGratuítaAvenue AppInvestidores internacionais
Itaú CorretoraR$ 10,00 / ordemR$ 1,50 / contratoR$ 0,00 (clientes Itaú)Hígen / App ItaúClientes do banco Itaú
Bradesco CorretoraR$ 9,90 / ordemR$ 1,20 / contratoR$ 0,00 (clientes Bradesco)App BradescoClientes do banco Bradesco
Nuinvest (Easynvest)ZeroR$ 0,00 (à vista)GratuítaNubank AppUsuários Nubank
BTG Pactual DigitalZeroR$ 0,59 / contratoGratuítaBTG AppInvestidores sofisticados

Tabela com dados de referência de 2026. Consulte sempre o site oficial da corretora para confirmar as taxas vigentes.

Ao comparar as opções acima, é possível perceber que a maioria das corretoras digitais já adota o modelo de corretagem zero para o mercado à vista. A diferenciação ocorre principalmente nos produtos de renda derivativa, na qualidade da plataforma e nos serviços adicionais oferecidos.

Uma dica final: muitas corretoras oferecem um período de teste gratuito ou de acesso à plataforma premium. Aproveite para testar antes de se comprometer, especialmente se for operar com derivativos ou utilizar ferramentas avançadas de gráficos e análise técnica.

Corretagem Zero: Vale a Pena ou Existe Algum Custo Oculto?

A proposta de “corretagem zero” é, sem dúvida, um dos avanços mais positivos para o pequeno investidor brasileiro. Antes desse modelo, uma pessoa com R$ 300 mensais para investir em ações poderia ver 3% a 5% do seu capital simplesmente evaporar em taxas antes mesmo de qualquer valorização ou pagamento de dividendos. Hoje, esse cenário mudou drasticamente.

Mas é preciso ser honesto: nenhuma empresa trabalha de graça. As corretoras que oferecem corretagem zero se remuneram de outras formas. Conhecer essas fontes de receita não significa que a oferta é ruim — significa apenas que você precisa ser um consumidor consciente e entender o modelo de negócios da instituição com a qual está operando.

Como as corretoras ganham dinheiro com corretagem zero

1. Spread em produtos de renda fixa: Quando uma corretora oferece um CDB de 110% do CDI e o banco emissor paga 115% do CDI, a diferença de 5 pontos percentuais vai para a corretora. Isso não é necessariamente ruim — você ainda pode estar recebendo uma taxa melhor do que no seu banco de varejo — mas é uma remuneração indireta que existe.

2. Receita de float: O dinheiro parado na sua conta da corretora (saldo não investido) rende juros para a corretora. Alguns produtos como as contas remuneradas transferem parte desse rendimento ao cliente, mas a margem fica com a instituição.

3. Assessoria de investimentos e taxa de administração: Corretoras com equipes de assessores ganham comissões sobre os produtos indicados — principalmente fundos de investimento, seguros e prevídência privada. Essa prática é regulamentada pela CVM, mas requer atenção para garantir que as indicações sejam baseadas no seu interesse e não na comissão do assessor.

4. Order flow: Algumas corretoras vendem informações sobre o fluxo de ordens dos seus clientes (de forma agregada e anônima) a formadores de mercado. É uma prática controversa, comum nos EUA, que começa a ganhar espaço no Brasil.

5. Serviços premium: Plataformas avançadas, relatórios de análise, clubes de investimento e serviços de assessoria personalizada costumam ser cobrados à parte, mesmo em corretoras com corretagem zero.

Cuidado com taxas de inatividade

Algumas corretoras cobram uma taxa mensal caso o investidor não realize nenhuma operação em determinado período (geralmente 30 a 60 dias). Se você é um investidor de longo prazo que compra e segura ações por meses sem operar, verifique se sua corretora cobra essa tarifa.

Corretagem zero vale a pena? A resposta para cada perfil

Para o investidor iniciante ou de longo prazo que realiza aportes mensais em ações, FIIs ou ETFs, a corretagem zero é altamente recomendável. Os custos ocultos raramente superam a economia gerada pela ausência da taxa por ordem, especialmente para quem investe valores menores.

Para o trader ativo que realiza muitas operações diárias, é preciso avaliar com cuidado. Algumas corretoras “zero” cobram por minicontrato de índice ou dólar, por exemplo. Compare o custo total mensal considerando o volume de operações que você realiza.

Para o investidor de renda fixa, a corretagem zero não tem tanto impacto, já que nesse mercado a remuneração da corretora já está embutida no produto. O que importa é comparar as taxas oferecidas pelos produtos disponibilizados em cada plataforma.

Conclusão sobre corretagem zero

No geral, a corretagem zero é um avanço real para o pequeno e médio investidor brasileiro. Os custos ocultos existem, mas em uma análise global, o modelo ainda é amplamente favorável para quem investe com consciência e mantém saldos ativamente aplicados.

Em resumo: pesquise, compare e faça as contas antes de escolher sua corretora. A economia de R$ 10,00 a R$ 25,00 por operação parece pequena isoladamente, mas ao longo de anos de interações mensais, pode representar um capital significativo que poderia estar rendendo mais na sua carteira do que nos cofres de uma instituição financeira.

Conclusão: O que você precisa saber sobre corretagem

A taxa de corretagem é um custo inevitável para quem opera na bolsa, mas com as opções disponíveis hoje no mercado brasileiro, é possível minimizá-la bastante. Use o checklist abaixo para garantir que você está tomando as melhores decisões antes de abrir conta em uma corretora:

  • Identifiquei meu perfil de investidor (iniciante, longo prazo, trader, misto)
  • Listei todos os produtos que pretendo usar (ações, FIIs, ETFs, renda fixa, derivativos)
  • Comparei o custo total de cada corretora — não apenas a corretagem
  • Verifiquei se a corretora é autorizada pelo Banco Central e pela CVM
  • Confirmai se há taxa de inatividade, custódia ou tarifa de TED oculta
  • Testei a plataforma antes de migrar minha carteira integralmente
  • Entendi como a corretora se remunera (especialmente no modelo “zero”)
  • Calculei o impacto das taxas da B3 (liquidação + emolumentos) nas minhas operações
  • Verifiquei as regras de Imposto de Renda para o tipo de operação que pratico
  • Escolhi a corretora com melhor custo-benefício para o meu perfil específico

Perguntas Frequentes sobre Corretagem

O que é taxa de corretagem e para que serve?

A taxa de corretagem é a remuneração cobrada pela corretora de valores por intermediar a compra e a venda de ativos financeiros no mercado de capitais. Toda vez que você envia uma ordem de compra ou venda de ações, fundos imobiliários, ETFs ou outros ativos negociados na B3, a corretora executa essa ordem em seu nome no sistema da bolsa.

Essa intermediação é necessária porque pessoas físicas não têm acesso direto ao sistema de neg&ociação da bolsa — apenas instituições autorizadas pelo Banco Central e pela CVM podem operar diretamente no pregão eletrônico.

Em troca desse serviço de acesso, execução e liquidação das ordens, a corretora cobra a taxa de corretagem, que pode ser fixa (um valor determinado por ordem), percentual (calculado sobre o volume negociado) ou zero (sem cobrança por ordem, com remuneração indireta em outros produtos).

Qual é a corretora com a menor taxa de corretagem do Brasil?

Diversas corretoras brasileiras oferecem corretagem zero para o mercado à vista de ações, o que tecnicamente as torna as mais baratas nesse quesito. Entre as mais conhecidas estão Clear, Rico, XP Investimentos, Nuinvest (do Nubank), Inter Invest, Toro e BTG Pactual Digital.

No entanto, “menor taxa de corretagem” não é sinônimo de “menor custo total”. Para derivativos (minicontratos, opções), as taxas variam bastante: a Clear cobra R$ 0,00 para até 5 minicontratos por dia, enquanto outras cobram entre R$ 0,50 e R$ 1,50 por contrato.

Para renda fixa, como CDB e LCI, a corretagem está embutida no spread dos produtos, não sendo cobrada explicitamente. Portanto, o ideal é comparar o custo total considerando todos os produtos que você pretende utilizar.

Corretagem zero realmente existe ou é um mito?

Corretagem zero é uma realidade, mas é importante entendê-la corretamente. Quando uma corretora diz que oferece corretagem zero para ações à vista, significa que ela não cobra uma taxa explícita por cada ordem de compra ou venda no mercado à vista. Isso é verdade e representá uma economia real para o investidor.

Porém, isso não significa que investir seja gratuito. As taxas da B3 (liquidação e emolumentos) sempre incidem sobre qualquer operação, independentemente do modelo de cobrança da corretora. Além disso, a corretora se remunera de outras formas: spread em produtos de renda fixa, taxa de administração em fundos, serviços premium e receita de float sobre o saldo em conta.

Portanto, corretagem zero é uma proposta válida e vantajosa para a maioria dos investidores — especialmente os de longo prazo — mas requer atenção aos demais custos para uma avaliação completa.

A corretagem é dedutível do Imposto de Renda?

Sim! Segundo as regras da Receita Federal, o valor pago de corretagem pode ser incluído no custo de aquisição dos ativos para fins de cálculo do ganho de capital. Isso significa que, ao vender uma ação, você pode subtrair as taxas de corretagem pagas tanto na compra quanto na venda do valor do lucro para calcular o IR.

Por exemplo: você comprou ações por R$ 10.000 e pagou R$ 10 de corretagem. Seu custo de aquisição é R$ 10.010. Ao vender por R$ 12.000 com mais R$ 10 de corretagem, seu lucro tributável é de R$ 12.000 − R$ 10.010 − R$ 10 = R$ 1.980, e não R$ 2.000.

As taxas da B3 (emolumentos e liquidação) também são dedutíveis pelo mesmo critério. Mantenha sempre os comprovantes das operações para a declaração anual do Imposto de Renda.

Qual a diferença entre corretagem no mercado à vista e no mercado futuro?

No mercado à vista de ações, a corretagem é cobrada por ordem executada (seja ela de compra ou de venda). A maioria das corretoras digitais cobra zero nesse mercado, tornando-o acessível a qualquer investidor independentemente do volume.

No mercado futuro (minicontratos de índice Ibovespa e dólar, contratos de commodities etc.), a corretagem é cobrada por contrato negociado e costuma ser mais elevada em termos absolutos. Uma operação com 10 minicontratos de índice pode gerar entre R$ 5,00 e R$ 15,00 de corretagem dependendo da corretora, além das taxas da B3 por contrato.

No mercado de opções, a cobrança também é por contrato. Para quem acompanha o Ibovespa e utiliza opções para hedge ou especulação, essa diferença de custo é determinante para a rentabilidade das estratégias. Sempre simule o custo total da operação antes de executar.

Ana Carolina Giampietro

Ana Carolina Giampietro

Editora — ComoInvestir.blog

Especialista em educação financeira e mercado de capitais. Escreve sobre investimentos, planejamento financeiro e economia com linguagem acessível para ajudar brasileiros a conquistar independência financeira.